
Sabe aquele instante em que você deita na cama e o silêncio pesa mais que o próprio cansaço? Faz tempo que você não presta atenção no brilho do olhar dos seus filhos, né? Talvez esteja tudo tão corrido, tão cansativo, tão automático… Que os minutos viraram obrigações e as memórias, promessas adiadas para “quando sobrar tempo”. Mas ninguém conta que esse “quando” não chega, que a infância passa e aquele colo, aquela escuta, também fazem falta pra você – não só pra eles. Quantas vezes você se cobrou por não ser a mãe perfeita, e se esqueceu de que a perfeição mora na vulnerabilidade, no abraço apertado, no choro dividido à meia-luz do corredor?
O tempo, esse velho amigo implacável, lembra que criar filhos é também se perder — para, um dia, se reencontrar. As madrugadas solitárias, os choros escondidos no banho, o medo de errar, a culpa de não dar conta. Você não é a única. Olhe ao redor: mães cansadas, pais em silêncio, crianças famintas de presença. E, no fundo, o maior desejo é simples: ser suficiente, ser abrigo, ser amor. Mas o tempo cobra: quer você inteira, não só disponível. Quer que você se permita chorar, pedir colo, se abraçar na própria humanidade. Porque só cuida de verdade quem aprendeu a se cuidar também.
Então, hoje, respira fundo. Sinta o peso do agora e se permita ser frágil. Abrace suas falhas com a mesma ternura que oferece aos seus filhos. Cuide do seu coração – ele pulsa pelo seu, pelo deles, por todas as histórias que você sonha construir. No mais íntimo da criação, onde a dor e o afeto se entrelaçam, existe vida real. E acredite: cada lágrima hoje é semente de cura. Seu tempo, sua singularidade, seu amor – tudo isso é, sim, suficiente. Porque cuidar de si… também é parte da criação.


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